Vulcão Teide


Chegámos à ilha há dois dias. A tarde de hoje dedicámo-la a conhecer o Parque Nacional que envolve o Vulcão Teide. 
A paisagem de lava, percorrendo as zonas planas e os declives,  rebenta-nos no olhar como uma flor absoluta e eterna que narra sem piedade a memória de sol, de fogo e de silêncios daquele lugar.
Tenho andado, nestes últimos dias, a preparar um novo trabalho poético. Sobre a paisagem do Teide, deixo este texto.

1
A lava permanece sólida e negra
no sopé do vulcão, lembrando tudo.
Não se pode esperar mais
sobre aquilo que o amor possa ser
e do seu lento guardar.

2
Os catos esperam as estações na paisagem deserta.
A luz tem a tradução de longos silêncios
e, sobre a pele dos catos, envelheço a nossa,
com a mesma beleza que tem o tempo
ao conhecer da luz o seu espaço de solidão
e de morte.





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