Os 16 de Maio.
Hoje é o dia 16 de Maio. Dia de feiras francas na minha terra. Durante a tarde andei pelo espaço da feira. Como por cá se diz: andei como um gaio. Ainda há velhos que se vestem usando fato com colete e chapéu, trazendo carinhosamente os netos ou bisnetos à feira e aos divertimentos. E isso tem um valor incalculável. Porque essas pessoas trazem para este tempo uma ideia e um sentimento que, a pouco e pouco, se desvanece. Mas para mim, que teimo em andar por aí a fascinar-me com estas coisas, porque também são as minhas coisas, é um sinal de alegria e de reencontro. Na verdade, olho estas pessoas como sempre as olhei: tão simplesmente os senhores que trazem os netos à feira de Maio. Nada mais do que isto. Mas isto, hoje, é tanto! Estes fafenses das feiras de Maio vêm à feira para serem felizes e deixar felizes os seus. E este é um grande sinal de futuro. Não vale de muito andarmos com grandes teorias sobre a modernidade e pós-modernidade das feiras. O que há de poético e de futuro nisto é ver que ainda nos sentimos bem uns com os outros no espaço da feira e gostamos de levar aos 16 de Maio os nossos e encontrar por lá, com ar satisfeito, os outros que andando assim também nos satisfazem.
No meu tempo de criança os 16 de Maio eram no Largo e os divertimentos na Feira Velha. Da minha varanda via-se tudo. Hoje, já assim não pode ser. A casa do Largo já não existe e dos que comigo moravam já só vive a minha mãe. Mas o milagre do dia é saber que na festa ainda não morremos, ainda continuamos todos vivos, pelo menos no sorriso, pelo menos no som das pessoas que é o som da alegria de um povo. E a alegria de um povo é um dos mais bonitos poemas que ainda ninguém escreveu de forma tão elevada, mas que o sabemos por dentro, nós fafenses, nós os que somos daqui como uma criança é de um pai e de uma mãe, como um Homem é para sempre de um lugar que o define e lhe mostra as fronteiras do risco, da liberdade, do dia que há-de vir e nos surpreenderá como nos surpreendiam a magia dos carrosséis de Maio, em Fafe, sendo pequeno o nosso coração, mas muito longa a promessa de que nunca deixaríamos a terra, a terra que significa chão, que significa sangue, que significa o que somos com o nosso único mundo, mesmo quando não estamos e aí só conseguimos ser a tão grandiosa saudade e o seu tão íntimo e sublime reconhecimento.



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