Refúgios.


Esta noite, de descanso, de resguardo, regresso a Elis e a esse íntimo murmúrio dos sonhos. Levo a mão à escuridão do desconhecido e acarício-o como se fosse um rosto para amar nos últimos instantes de uma qualquer vida.
E pergunto, pergunto sempre, de que serve acordar para o mundo se não perseguirmos o lado adormecido e edílico das nossas coisas, das nossas palavras, dos nossos lugares?
Sou um vigilante do teu sonho e roubo-to porque te amo. Para to poder dar a seguir, do mesmo jeito que o mais belo bandido te foge com a idade, para te falar do paraíso, desse desconhecido e regrado paraíso onde enjaulou todos os deuses, para subjugar à tua própria infinitude, à tua incomparável maneira de lapidar o amor, para que só entre os dedos segures a ideia de Deus sem paraíso para ofertar, o que os teus dedos segredam e guardam, entre o que deixas e o que levas, esse teu tão justo e tão humano para sempre.

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