O meu Goya, o do Carlos Vaz e o de quem o apanhar.

Há um roteiro obrigatório na obra de Goya. O roteiro dos retratos. A genialidade com que consegue dar alma aos seus modelos, reais ou inventados.
Desta vez, em Madrid, detive-me nos retratos e vislumbrei uma série de histórias e de personagens, sobre as quais me apeteceu tirar o triplo das férias para as poder escrever e dar vida a novas figuras que aí teriam o seu berço criativo.
Antes de mim, já o Carlos Vaz se deteve em Goya e na companhia das suas gravuras escreveu o romance «Capricho 43». Revisitar Goya é também levar comigo este amigo de há vários anos e ousado artista do nosso tempo.
Por isso, a arte tem roteiros, múltiplos, quase todos fascinantes. Os roteiros que sigo, à margem de muitíssimas convenções, são os da alma. Aqueles que partem de um abraço, a um pedaço enorme de espanto, a uma descoberta, a uma releitura, a uma criação ou recriação, ou, tão simplesmente, a um prazer genuíno e profundo quanto baste, capaz de não ser só nosso para poder vislumbrar o abraço dos outros, a sua descoberta, o seu espanto e o seu justo prazer. Se assim for, valeu a pena ter uma alma. Uma alma para compartilhá-la.
Disto também se fez e faz o segredo da arte e dos artistas.


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