Friday, January 20, 2012

Origem.

 Foto PMM -Moledo

Quando voltares ao início, pergunta. Aprecia a paisagem e encontra aí os vazios, mas também os pássaros, as árvores e os objetos que já foram teus. Olha-os um a um. Fala-lhes da saudade que sentiste, sem pressas. Demora aí o coração. Lembra-te como o mundo não tinha uma imensidão de coisas, de lugares e de pessoas que hoje tem. E vê como era, antes de tudo te ter chegado ao olhar. A primeira coisa óbvia é que foi possível viver sem tudo isso. A segunda é que é possível. A terceira é a de que se vive uma belíssima inconstância e um fundo mistério.
Já estivemos mais sós. Já estivemos mais acompanhados. A constante é que estamos sempre com o dificílimo coração. Quando voltares ao início, não te esqueças que o mundo é maior que o teu olhar. Mas também foi isso que te fez entender que o mar só é o mar porque um dia lhe juntámos uma palavra, uma sonoridade, uma tristeza, uma paixão. E andes por onde andares, ele ha-de lá estar sempre para que voltes, abrindo luminosamente a viagem que ainda falta.

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