Foto PMM - Genebra
Desloca-me na luz que nunca faltou ao teu coração. Deixa que viaje pelo sorriso que não entardece nos teus olhos e que trouxeram ao mundo a ternura. Fica aí como se morresses em mim, só porque morrer é um acto de eternidade.
Se puderes fala-me, mas não termines a história. As historias que acabam não prestam, só prestam aquelas que tendo um fim continuam noutras e por isso não param efectivamente. Se puderes fala-me dessas historias, que elas são irmãs do amor. E o amor também tem muitos fins, mas se for verdadeiro não termina.
E se me inventares, não te preocupes com isso. Eu também te inventei este tempo todo e nem por isso a infelicidade tocou os meus dias, ainda que tenha chorado algumas vezes, ainda que tenha dito adeus a muitos de mim que eu inventei e a outros tantos que foste tu a inventar. Mas os meus eus e os meus eus que tu criaste são filhos do nosso amor e por isso são um mapa na rota que, não sabendo, é a rota que decidimos seguir pelo que nunca se alcança sobre o destino. Se puderes, fica. É que eu não sei como é que poderei continuar os meus eus separados dos outros eus de mim que tu criaste e, mais do que isso, dos muitos tus de ti que eu criei.
Deixemos que o mundo entre. Deixemos que as horas sejam uma madrugada perto de um porto de embarque e que voltemos a nada saber sobre a viagem, apenas que viajaremos, que continuaremos, à espera do espanto, à espera de saber como se ama de cada vez que se parte, de cada vez que se muda, e mesmo assim se não morre, nem para o passado. Deixemos que o mundo entre. Há sempre um qualquer espanto à espera do amor e isso nos tem bastado.

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