Sunday, February 14, 2010

Hipóteses sobre o tempo de estarmos vivos.


1
Se o tempo guardasse para si o  infinito
e ninguém o soubesse.

2
Se tudo estiver  agarrado ao que já  fora,
que seremos nós que não seja lembrança?

Seremos do mundo  a sua pálida e leve esperança.
E não sendo quase nada
é, mesmo assim, o nosso único tudo.

3
Tenho um tesouro enterrado na voz.

Por isso sou da  terra e do tempo
como todos nós.
Há-de, esse tesouro, ser descoberto se for.
Se não for,
será simplesmente o que foi possível
ao tempo e que não veio.

Redundante é o mundo tanta vez.

4
Talvez se morra, um  dia.
E o que será essa tão dura ignorância?
E o que seria esse inferno
se visto assim e assim tão desgarrado ficasse?
Que dura interrogação?
De que valeria a vida?
De que valem todas as margens
se não  voltarmos para atravessá-las
ou atravessarmo-nos nelas?