Wednesday, April 30, 2008

As primaveras de dentro.



Embora eu caminhe para ti
incessantemente ao longo de percursos sonhados,
a soma desses encontros
é inferior a um único vislumbre
concedido no despertar do mundo.
Ono no Komachi


As manhãs de Abril: com chuva a rondar as mil tristezas, a tactear o esforço que tem a estação de onde tudo volta a rebentar para o exterior circuito da beleza, com o caminho feito pelo lado de fora, para os olhares que na primavera se perdem e se confrontam com a expectativa das celebrações de um recomeço.

- Repara como é tão tardio o olhar que deixamos sobre aquilo que, de rumo em rumo, tem a legenda de qualquer coisa à espera de se tornar num ápice, numa nova esperança, numa espécie de regresso aos dias em que tudo volte a estar bem e se não perca e se não gaste, como tão dolorosa e incompreensivelmente a vida se vai desgastando.