Friday, December 28, 2007

Natal de 2007


Este Natal, comprei musgo a uma senhora que o vendia na berma da estrada, um cesto em vime para carregar a lenha e doces de antigas receitas na doçaria de S. Vicente, em Braga. Este Natal, quase sem tempo para a quadra, agarrei o que pude com a qualidade do que é nosso e nos faz sentir de cá. A qualidade da quadra volta muito ao que é genuíno e durável por oposição ao que brilha, ao que é efeméro e não é de cá.
Cada ano que passa sinto o Natal como um retornar às raízes, como se aí erguesse uma escultura aos gestos, aos dizeres e aos objectos que nos foram fazendo nascer ao longo dos anos. Porque ter um cesto que não acaba tão cedo é construir uma memória com a memória que o próprio objecto já consigo trás e nos identifica também. Porque o musgo do presépio, sendo deste ano, é o musgo de sempre, das idas ao monte, das chuvadas, das geadas, das unhas cheias de terra, dos dedos frios até doerem. Porque os doces são, no nosso coração, a receita antiga dos que partiram mas ainda acendem a fogueira mais intensa do que é mágico e nos faz sorrir sem programação ou obrigação de quadra.