Monday, September 24, 2007

A medida do tempo.


Contarão os dias para que seja relida a interminável vocação de ser-se humano?
A que distância estarão circunstância e lugar, se do desejo partiram todas as naus que desenharam a estranha rota da apologiada razão e objectiva interferência nossa no nosso mundo?
Onde atracará a mais bela síntese? Onde residirá o rasto mais último e mais breve? Onde estaremos, na altura exacta de perdermos o coração e sermos do passado o único corpo e da memória a sobrevivência alheia no sempre emprestado corpo que vamos encontrando nos outros, mesmo quando mantemos o coração na provisória forma que nos deram?
A quem pertence o coração, o do mundo, porque outro não há?

Thursday, September 06, 2007

Até.



na hora de Luciano Pavarotti

Morrer mesmo, morre-se quando deixamos
de sentir
ou de dizer o que sentimos, ainda que para dentro,
ainda que só para a nossa inviolável tristeza,
a mais bela, a mais rica, a que mais custa a passar
para assim retardar a solidão.

Poemas da cidade - 9


A situação do teu peito é a de um promontório sobre a paisagem desabrigada do meu coração.
É essa a fronteira da visão e da ausência, o limite de quase tudo.